Liz Emerson se tornou uma adolescente muito diferente da criança que foi um dia. Nada de sonhos bobos ou de abaixar a cabeça perante os outros. Ali, no parquinho do colégio, debaixo do céu azul que tanto lhe encantava, ela decidiu que nunca mais ficaria calada. Falaria o que precisasse ser dito, faria o que passasse na cabeça e não se importaria com o que os outros pensariam dela.
Quando chegou ao Meredian High, ela era uma garota reinventada. Mesmo sendo caloura, Liz tomou para si o posto mais alto na escala social daquele lugar, se achando no direito de destruir qualquer um que atravessasse o seu caminho. Poderia ser uma pessoa que incomodasse uma de suas melhores amigas ou que ela simplesmente não fosse com a cara. Depois de anos sendo seguida e temida por todos, Liz deveria se sentir poderosa, mas o único sentimento que existia dentro dela era o vazio.
Liz não destruía só as pessoas de quem não gostava. Não eram apenas os nerds, os gays, as piranhas, os geeks da banda, as líderes de torcida ridículas, os membros da equipe de xadrez, os membros do Clube Budista, os quietinhos ou os barulhento. Ela destruía todo mundo. Até as pessoas mais próximas a ela. Sobretudo as pessoas mais próximas a ela.
A sua forma preferida de preencher esse vazio eram uma garrafa roubada da adega de sua mãe e uma festa cheia de luzes pulsantes e garotos de quem não precisaria lembrar o nome. Todas essas noites eram iguais, mais uma em específico determinou seu futuro. O mundo era cheio de pessoas como ela, prejudiciais e que destruíam qualquer coisa na qual encostassem. Ela não podia mudar o mundo, na verdade ela mal conseguia mudar a si mesma, mas ela podia fazer uma boa ação: livrar o mundo de uma pessoa tóxica como Liz Emerson.
Essa história é narrada por um indivíduo misterioso, que conheceu Elizabeth Emerson antes dela se tornar a pessoa que decidiu testar as Leis de Newton mesmo sem entendê-las. Existe uma cronologia na narração dos acontecimentos, mas são várias linhas que correm em paralelo. Somos apresentados à garota sonhadora que ela foi um dia, à rotina desgastante que a fez tomar uma decisão tão definitiva, aos momentos que antecederam sua tentativa de suicídio e a reação das pessoas após ela dar entrada no hospital.
É isso mesmo que vocês entenderam, são quatro situações distinta para o leitor acompanhar. Felizmente a leitura não ficou confusa, porque se tivesse ficado, nem a escrita fluida da autora teria me ajudado à chegar ao final do livro.
Apesar do título dizer que tudo irá fazer sentido em algum momento, eu não encontrei sentido nenhum nessa história. Ela me fez refletir sobre várias coisas, mas definitivamente não me cativou. Quando me interessei pela história, eu já sabia que não seria uma leitura alegre, mas com certeza eu não esperava o que encontrei. Uma exemplo de coisas são as Leis de Newton, que pareciam ter uma ligação mais forte com a batida, tinha de tudo para ter, mas que foram tratada de bem superficialmente.
Uma história onde os personagens passam a maior parte do tempo envolvidos com álcool, drogas e sexo, dificilmente me agrada. Um dos motivos dessa minha implicância é que raramente há profundidade eles. Quando tudo faz sentidoé um excelente exemplo disso. O pior é que os dramas individuais de cada um tinha muito a acrescentar ao leitor, mas a autora optou por jogar as informações no ar ao invés de desenvolvê-las.
Tudo ao redor de Liz era um vazio sem fim. Sua alma, sua casa..
Para compensar, o trabalho da Editora Rocco ficou bem bacana. A capa, que é uma adaptação da original, tem um efeito metalizado bem bonito. A diagramação está simples, confortável para a leitura e não encontrei qualquer erro de revisão.
Em quatro anos de blogosfera, nunca deixei de recomendar uma história. Acredito que os livros podem impactar seus leitores de forma diferente, e o que da errado para mim pode dar certo para outras pessoas. Para tudo há uma primeira vez, certo?
Quando tudo faz sentido - Amy Zhang
Rocco Jovens Leitores
320 páginas
Livro cedido pela editora
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